248 - Educação, sempre ela

Categorizado em Café Brasil Podcast

educacao_sempre_elaBem vindo a mais um Café Brasil daqueles, no qual vamos discutir educação. Sempre ela, né? Pois é. E depois da discussão, o que acontece? Mais um pois é… Até quando vamos continuar discursando sobre o óbvio? Você está indignado ou indignada com a educação brasileira? E quando compara com a educação de outros países a indignação cresce? E vai fazer o que a respeito? Dar uma tuitada? É pouco, né? Na trilha sonora teremos Altamiro Carrilho, os Anjos do Inferno numa interpretação sensacional, Silvio Teles, Gedeão da Viola, Téo Azevedo, Maurício Pereira e o Turbilhão de Ritmos e o novo “hit” da internet: a professora potiguar Amanda Gurgel. Apresentação de Luciano Pires.

O texto desse programa, com poesias e letras das músicas pode ser encontrado no DLOG CAFÉ BRASIL, publicado em http://www.portalcafebrasil.com.br/dlog






8 comentários sobre “248 - Educação, sempre ela”
  • Samurai disse:    ( 02.05.2012 às 9:32 )

    Olá Luciano,

    Quase um ano se passou e o que mudou?

    O CNPQ, o que deveria ser um conselho de âmbito nacional para apoio e fomento ao desenvolvimento da ciência e tecnologia já estava a três anos sem reajustar o valor das bolsas de pesquisa, e agora que o fez, sequer foi para todas as classes, alegou que não tinha dinheiro em caixa para fazê-lo.
    Mas ao menos fez um aumento…
    O que se espera de um país que não influencia os seus estudantes a estudar e pesquisar? um estudante de graduação que teoricamente está cheio de vontade de inovar e pesquisar, com mil ideias para revolucionar o mundo qual a sua motivação para fazê-lo? 300 Reais, a desculpa, 360 agora, são 20% de aumento…
    Sério mesmo? Quanto é mesmo o salário mínimo??
    Quanto uma família “carente” recebe de bolsa isso ou aquilo?
    Um professor que dedicou anos ao desenvolver sua área de conhecimento receberá agora 1500 Reais, para influenciá-lo a continuar desenvolvendo pesquisas.
    Não que eu seja contra a bolsa família ou qualquer outra dessas bolsas assistencialistas, mas acho que a forma com que são aplicadas está errada.
    Elas não influenciam o cidadão que esta recebendo esses auxílios a querer sair dessa faixa, simplesmente distribuem dinheiro para eles, para que em retorno, votem neles na próxima eleição.
    Cadê o ensinar a pescar que o nosso excelentíssimo ex presidente Lula sempre dizia em sua campanha?
    Mas como ensinar alguém a pescar se não temos professores que ganhem o suficiente pra isso? temos que esperar “redentores do país”, como disse a Amanda?
    Fico ainda indignado com o descaso do governo com a educação seja ela no nível em que for, pois desde o fundamental ao superior os professores não estão sendo adequadamente prestigiados nem tão pouco remunerados. E sem motivação não há quem aguente muito tempo ser bravo o suficiente pra redimir a educação do cativeiro em que se encontra, preso sob uma bandeira hipócrita de politicas assistencialistas.


  • Jaime Wautier disse:    ( 16.06.2011 às 11:49 )

    Muito bom este podcast, Parabéns pela educação proporcionada. Abraços


  • Rubem Luiz disse:    ( 09.06.2011 às 18:55 )

    Infelizmente faltou “lembrar” que o piso salarial das redes municipais de educação é ainda menor, geralmente salario mínimo.

    Mas aumentar o piso resolve? A faixa de renda media do brasileiro até algum tempo era se não me engano de R$ 815, bem abaixo do piso da Profª Amanda. Não computamos escolaridade ou nível de conhecimento, mas a média não só leva em conta os desempregados e os super-remunerados, como também reflete a renda de uma grande percentual da população.

    Eu particularmente “gastei” 8 anos no ensino superior em varias areas, fora formação técnica extra-escolar, a carga horário é de umas 12 horas em dias de semana e 5 aos sabados, o modo de ter um pouco de renda extra alguma vez por ano é vender os 20 dias de férias… então se me comparo a Profª Amanda ela está melhor que eu, porque ganha mais, tem carga horaria menor, e tem mais férias… e talvez investiu menos em formação pra “chegar aonde chegou”.

    Claro que trabalho como trabalho e ganho o que ganho por opção, ninguem me obriga a trabalhar nessas condições. Mas ninguem obriga nenhum professor a trabalhar nessas condições. Aqui em meu estado a rede estadual de professores do ensino médio está em greve por aumento salarial, eu sempre que estive insatisfeito com o salario troquei de emprego, mas funcionários publicos tem visão diferentes, eles não querem perder o que nós contribuintes e funcionários particulares chamamos de mamatas, que é a possibilidade de ter faltas, ferias, benefícios como emprestimos com juros baixos e etc, e com estabilidade de emprego. Nunca ví greve em empresa particular de pequeno ou médio porte.

    Na minha area de atuação atendo muitos professores, todos com renda superior a minha, e nenhum deles tem conhecimento avançado em nenhuma area (Pra não falar que não são nada mais inteligentes que a media, que não são pocotós também) que a MEU VER justificaria um salario muito alto. Uma expressão que escuto de alguns quando fazem concurso publico é: “Vou arranjar um trabalho pra me encostar algum tempo”, pelo que entendo significa trabalhar pouco e ganhar bem, porque a media do trabalhador brasileiro trabalha muito e ganha pouco, aumentar o salario só dos professores e manter a media nacional baixa não equaliza a balança, quem trabalha muito, com horas extras pra chegar os R$ 930 por mes, geralmente não educa os filhos em casa, deixa pra escola educar, então a escola precisa escolarizar e educar ao mesmo tempo, claro que o stress dos professores aumenta. Aumento de salario não é a única solução pra qualquer problema.


  • Alexandre_ Sorocaba disse:    ( 09.06.2011 às 0:34 )

    Olá Boa Madrugada Luciano !

    Terminei de ouvir e apreciar mais uma de suas chicotadas semanais.
    Quê delicia ouvir coisa boa.. texto coerente e de qualidade, música boa….nossa eu estava precisando mesmo.

    Ia me desconectando até que sentir um peso na alma, pois se pede tanto por um comentário….alías não pelo fato de pedir , mais sim uma falta de educação da minha parte, pois até aqui, entro sem bater, sento na mesa e como desse manjar intelectual e depois arroto com prazer de uma boa comida e vou me embora sem ao menos agradecer…..

    …com esse pensar é que venho atravês dessa simples mensagem agradecer a você e toda a sua equipe pela maravilhosas iscas…ou melhor pratos de conhecimento que vocês nos dão de graça…..

    Sabendo que esse que vós escreve é um faminto e voltará a degustar de seus pratos, no mínimo que eu poderia fazer é AGRADECER.

    Penso, antes tardes do que nunca !

    Que você mantenha esse estado de espírito sempre !

    Desse faminto,

    Alexandte


  • Rodrigo FP disse:    ( 07.06.2011 às 9:24 )

    Prezado Luciano Pires,

    Ouvindo seu podcast sobre Educação e o caso da Amanda Gurgel não pude deixar de me identificar.

    Fui um dos muitos que ficou indignado e surpreendido com a clareza desta professorinha, como tantas professorinhas neste vasto Brasil a sofrerem a influência desta mediocrização da educação formal. E já lhe digo o que quero dizer por educação formal.

    Antes, quero contar algumas coisas que vi nestes anos desde que deixei minha adolescência ( tenho 23 anos ) para entrar nessa tal de vida adulta.
    Estudei na ESPM-SP, você deve conhecer, fiz Publicidade e Propaganda por dois anos e depois mais dois de Administração… ahh, você sabe o que eu vi por lá não sabe? A elite paulista, os melhores colégios, os mais ricos, provavelmente a elite do pensamento paulista e talvez brasileiro. O que você não viu foram as aulas de reforço a tarde de matemática básica, isso já no terceiro ano de administração, ou as famigeradas “listas” feitas e refeitas a exaustão que evitavam o trabalho desnecessário de aprender a matéria e resumiam tudo a passo um, dois, três….. Será que me surpreendi quando vi que a lista batia com o que cairia no ENADE? Ah, é claro que não… Deixei a ESPM, São Paulo e vim para a cidade de Atibaia. Determinado a terminar o curso de administração, entrei numa dessas novas universidades que se multiplicam pelo Brasil a fora, passei em terceiro lugar e olha que nunca fui bom aluno…Estranhei… Mas estava animado, outra cabeça, desta vez seria diferente. Quando percebi, estava cercado de pessoas que mal sabiam ler, que passaram no vestibular de qualquer jeito, um professor de direito que me disse que a bibliografia estava, sabe onde? No Google!

    - Vai lá, digita, Bases do Direito, tá tudo lá.

    Lembrei das discussões com minha esposa, professora de literatura, comprando um livro esgotado em um sebo de Portugal, mas que tinha a melhor interpretação de história antiga que ouvimos falar ( Pierre Leveque, O mundo Helenistico ).
    Nossos amados 700 livros, e nossa paixão por não tomar nada como óbvio, mas sempre um convite a mais para a pesquisa e o aprendizado. Enfim, a velha e boa educação formal.

    Me revoltei, e por mais que me prejudicasse, hoje estou estudando sem cursinho, para passar na USP e ver o que rola. E sabe de uma coisa? Que delícia estudar a fim de aprender.

    Desculpe o texto longo, mas isso foi a introdução para algo que aconteceu com minha esposa esta semana, e como nos surpreendemos com os fatos.

    Quando me mudei para Atibaia, minha esposa começou a dar aulas em um colégio que promovia o “Empreendedorismo”. Sacou o problema aí? Estavam formando pequenos empresários. Ela, como professora de literatura se indignava. Era vetada de dar Machado de Assis, deveria dar um Dan Brown da vida mesmo, afinal, Dan Brown vende, Machado não.
    Foram noites e noites perdidas, discutindo se nós estavamos errados em simplesmente querer aprender e ensinar o obviamente correto. Eles achavam que Machado de Assis era muito longe do que o MERCADO queria, e ouviamos o famoso “Vamos ser práticos”.

    Todo mundo quer ser prático hoje em dia.

    Encorajei ela a largar a escola assim como larguei uma faculdade que com certeza encheria meu bolso, e esvaziaria minha alma.
    Hoje estamos animados com o projeto que ela estava fazendo de “Interpretação de Poesia”, envolvendo a escola toda, na cidade ao lado, chamada Piracaia, onde nos foi informado que só haviam caipiras.
    Pois bem, para nossa alegria a criança mais supostamente caipira, desacreditadas por todos, que sempre nos falava que gostaria de ser policial pois segundo ele:
    - Não sei nada, não sou nada. Só posso ser policial.
    Fez uma análise de um poema do Mário Quintana que olha…..de nível de pós-graduação.
    Choramos ao saber que apesar de tudo, estavamos e estamos certos em insistir em lutar por conhecimento DE VERDADE. Longe dessa onda de “caminho fácil”, “Aprender o que o mercado quer” e assim por diante…. O que chamo de educação informal.

    Enfim querido amigo Luciano, o que quero dizer com tudo isso é que a falta de educação não está somente no sertão, longe, invisível.

    Está no adolescente abre um “Truques de Matemática para USP e UNESP” do Objetivo.

    Na apostila de “Passe fácil para Concursos Públicos”

    Nessa mediocridade que acredita em uma pressa que não existe. Que acredita ser possível ser profissional antes de se formar humano.

    Como disse anteriormente o jornalista do O Globo. Temos que sair do virtual, sair do jeitinho, do aprender rápido. Arregaçar as mangas e fazer o que for preciso para aprender e ensinar DE VERDADE.
    E não sou só eu que penso assim…
    http://fuvest.com.br/PORTAL/fuvest/conteudo.aspx?nCdSite=3&nCdConteudo=4&nCdCategoria=32&nCdMenu=40&nCdMenuPai=23&nCdMenuGuia=40

    E olha que a questão vai além da omissão…Estão jogando contra…Já ouvi de mais de uma pessoa que o único livro importante é a bíblia…Que o único caminho é Jesus e que Machado de Assis era espírita, mal comia a mulher, negro e por isso, indigno de ser lido. Mas aí é tema para outra discussão que você vai saber cutucar muito melhor que eu…

    Grande Abraço,

    Rodrigo FP


  • Paulo Henrique disse:    ( 06.06.2011 às 11:18 )

    Caro Luciano!
    No início do século XIX, José Bonifácio de Andrada e Silva tinha um sonho: transformar o Brasil numa nação moderna, civilizada. Seu projeto era fazer mudanças radicais, como o fim da escravidão e a reforma agrária. Bonifácio pretendia revolucionar o sistema educacional brasileiro, defasado em mais de 100 anos, já naquela época. No entanto, as velhas oligarquias tinham outro plano: a manutenção do Establishment. “O povo não aceitaria essas mudanças tão novas”.
    Logo trataram de transformar o sonho do Patriarca da Independência em um devaneio de velho. Era preciso minar a credibilidade de Bonifácio. Envolvido pelos acontecimentos da época e vítima das infindáveis intrigas palacianas, Bonifácio faleceu sem ver o Brasil que sonhara.
    Hoje os produtores culturais afirmam que oferecem ao povo somente aquilo que o povo gosta de receber. Claro que o povo vai aceitar como bom e verdadeiro as migalhas que lhes empurram goela abaixo. No podcast 242 você, caro Luciano, já falou sobre a manipulação sistemática sobre a grande parcela da sociedade que vive bovinamente domesticada. Ainda tem gente que acredita piamente em tudo que a Mídia fala. E como foi educada a não pensar, essa “gente humilde” sequer questiona as informações que recebe. É assim que se forma o sacro santo exército de “midiotas”.
    “Não reaja”, “não reclame”, “não fale”, “Não grite”, “não chore”, “Não seja humano”. Esses e outros conceitos são disseminados como mantras e servem para entorpecer as consciências.
    Apesar de todos os avanços científicos, tecnológicos e estéticos da atualidade, uma boa parcela do povo brasileiro ainda habita os lúgubres cenários do século XIX.


  • Lillian disse:    ( 04.06.2011 às 2:24 )

    I Love You ! so pasei pra dizer que te amo.
    nao so amo, como aprecio e me orgulho de ser sua fa.
    beijokas e um abraco forte. Prometo voltar e comentar com mais inteligencia e melar menos.

    Lillian
    Boston


  • Mariana Coletti disse:    ( 03.06.2011 às 17:26 )

    Luciano, você me indignou. É muito triste ver os governantes do Brasil sem interesse algum em melhorar a educação do país. Alias, com muito interesse nisso… Como você mesmo citou, parece ser mais interessante criar passarinhos que não sabem voar do que mentes pensantes. Essa hierarquia no sistema educacional, onde se valoriza as disciplinas que dão maiores chances da pessoa ganhar dinheiro, aquelas que atendem ao mercado capitalista. Enquanto outras como pintura, dança e teatro são colocadas em um patamar inferior e quase inexistentes em nossas escolas castra a criatividade das crianças. Estas são tratadas como robôs, todas condicionadas ao mesmo metodologia de ensino.
    Fiquei indignada Luciano!
    É muito triste mesmo, fico imaginando quantas pessoas jovens que como eu, estão despertando para uma nova ideia, se libertando de ser um brasileiro pocotó e imaginando como será a vida dos nossos filhos. Tenho 24 anos e não tenho filhos ainda, mas fiquei emocionada ao ouvir a descrição que sua amiga fez de uma escola na Australia. Será que um dia isto será possível no Brasil? Deixo este comentário com uma frase assim como você sempre começa um podcast: ”Todas as crianças nascem artistas. A dificuldade é continuar artista enquanto se cresce.” Pablo Picasso. Parabéns mais uma vez a equipe do Café Brasil,
    um grande abraço da indignadíssima Mariana Coletti


Deixe um comentário