Em 6 de Outubro de 2011 às 15:58
Categorizado em Café Brasil Podcast
Continuando a série de programas que trata de democracia, censura e liberdade de expressão, vamos ver se entendemos o que vem a ser tolerância e respeito? Afinal, liberdade de expressão significa poder falar o que quiser pra quem quiser? Ou há limites? E quando impomos limites estamos censurando? Dá pra tolerar tudo ou tolerância tem limite? Pois é… Esse assunto ainda vai dominar outros programas. Na trilha sonora a alegria de Tom Zé, Rildo Hora, Renato Braz, Trio Madeira Brasil, Quarteto Novo, Lenine, Humberto Gessinger e Duca Leindecker. Apresentação de Luciano Pires.
O texto desse programa, com poesias e letras das músicas pode ser encontrado no DLOG CAFÉ BRASIL, publicado em http://www.portalcafebrasil.com.br/dlog


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Olá Luciano,
Venho acompanhando seu programa através dos podcasts há cerca de dois meses. Já pretendi deixar comentários antes, porém, como sempre ouço seu podcast no carro, enquanto viajo para me deslocar da minha cidade para a cidade onde estudo, os momentos de inspiração para deixar um comentário se vão antes que eu os empreenda.
Foi ante-ontem que ouvi seu último podcast, “Tolerância e respeito”. Embora eu já tenha perdido alguns detalhes importantes no meio da minha massa cinzenta, fato tristemente inevitável, alguns recados principais ainda me sobraram. A meu entender, uma das principais idéias do escopo de seu último programa é aquela que ilustra a diferença entre tolerância e respeito ao figurar o extremo de ambos: enquanto o respeito é sempre positivo, a tolerância deve evitar sua forma mínima (a intolerância) e, ao mesmo tempo, seu excesso (a indiferença). Essa é uma questão que, no meu curso de graduação, relações internacionais, abarca grandes problematizações. O tema da alteridade é discutido desde o meu primeiro ano. Me lembro de ter pensado algumas figuras importantes nesta área, como Boaventura de Sousa Santos, Clifford Geertz, Mikhail Bakhtin, entre outros. Me marcou particularmente o primeiro, Boaventura, com sua proposição do exercício da “Hermenêutica diatópica”.
Explica o autor que cada cultura possui seus próprios “topoi”. Os “topoi” são idéias dominadas pelos seres que fazem parte de uma dada cultura e que, por serem demasiado óbvias, dispensam explicações, embora sejam fontes de argumentação. A hermenêutica diatópica propõe que, tendo-se consciência de que os topoi são incompletos, se faça um exercício dialógico de interpretação “com um pé em uma cultura, e outro, noutra”.
Esse conceito me pareceu bastante oportuno para a ocasião porque nos faz lembrar que, embora tolerância e respeito sejam de fato diferentes, conforme você ilustrou muito bem no seu último programa, a medida com que eles se diferenciam depende forte e diretamente do contexto em que se encontram. Isso pode ser percebido em exemplos simples: é provável que aquilo que um coreano considera como respeito, no Brasil, seja um caso de extrema indiferença. Por sua vez, aquilo que um brasileiro considera como educado e, portanto, respeitoso, deve ser considerado extremamente rude, mal-educado e grosseiro na Coréia.
Culturas sérias parecem tender a aproximar indirença e respeito. Culturas mais amistosas, e, para isso, considero o Brasil um exemplo perfeito, tendem a confundir tolerância e respeito, além de agir de modo que, para outros, pode ser considerado muito invasivo e desrespeitoso. Mesmo a cultura peruana, em muitos aspectos similar à brasileira, revela esse tipo de nuances relativas, como se observa com aquele peruano que se assusta com a baixeza categórica do garçom brasileiro que, ao tentar ser educado e atencioso, tece um comentário acerca de um assunto que não esteja relacionado com seu trabalho - servir.
Para não prolongar demais o meu comentário, quero resumir a minha problematização ao seguinte questionamento: “Como podemos agir apropriadamente com relação à tolerância, à não-indiferença e ao respeito, quando mais de uma cultura está em jogo?”
Está na moda se preocupar com alteridade e cultura; isso todos estão cansados de ler em jornais, revistas, missões empresariais e catálogos de universidades. Contudo, transformar essa preocupação em ferramenta prática é muito mais do que meramente falar sobre a importância da mesma.
Olá Luciano
Em primeiro lugar, parabéns pela escolha das trilhas sonoras dos podcasts, são impecaveis.
E em relação ao tema, o pior entrave ao meu ver, é o despreso pela história.
As pessoas julgam tudo pelo que presenciam na atualidade e não tem o cuidado de pesquisarem os resultados que situações semelhantes tiveram em outras épocas da humanidade.
Há bem pouco tempo atrás, o presidente estadunidense B. Obama disse que embora seja cristão, tem conciência que a lei deve ser seguida e citou que se os ouvintes ali presentes, presenciassem um pai em vias de sacrificar um filho a Deus, como está na bíblia, eles chamariam a polícia.
O que o presidente disse é lógico e correto, porém vi muitas manifestações dizendo que ele estava errado, pois colocou as leis acima da religião, mas as pessoas que criticaram, o fizeram com a emoção e não com a razão.
Acho muito perigoso colocar a emoção acima da razão e é exatamente este comportamento que tráz o maior número de atos de intolerancia.
E agora com esta moda de politicamente correto, a situação ficou ainda mais perigosa.
Eu por exemplo não sei mais como devo chamar a “Banda do Zé Pretinho” que acompanha Jorge BenJor em suas apresentações.
Você tem alguma sugestão?
Um grande abraço
Giba